
|
março 01, 2008 Um aluno enviou-me esta matéria que saiu no Jornal Valor Econômico de São Paulo ontem. Também achei muito interessante e pertinente porisso a comparto aqui com vocês. O fim do simples emprego Em qual dessas categorias você define o que é o trabalho para sua vida: um dever, um mal necessário ou um projeto de vida? Se você ficou em dúvida, o melhor é cravar as três alternativas e relaxar. Essa é uma discussão que vem se arrastando ao longo do século XX e parece que vai percorrer ainda boa parte dos próximos anos. Não que seja algo novo. Filósofos da Antiga Grécia, como Aristóteles e Platão, já tinham lá suas idéias sobre o trabalho. O tema vem percorrendo séculos - passando por Adam Smith, Karl Marx, Lutero, Max Weber, Tomás de Aquino - e ainda ocupa a mente dos pensadores modernos. Hoje em dia nas escolas de administração se fala em carreira, não mais em trabalho. Esse é um dos sinais de mudança dos tempos pós-modernos. A principal razão pela qual se estuda tanto o tema é porque o trabalho vem perdendo a sua importância como fator de identidade pessoal. Em outras palavras, o trabalho está deixando de ser o principal elemento que define o papel do indivíduo na sociedade. Consumo, lazer, relacionamentos afetivos, cuidados com o corpo compõem parte desse novo repertório que amplia o conceito do "trabalho, logo existo". Carreira é algo que não combina com carteira de trabalho. Emprego hoje, para as camadas mais escolarizadas, é ter um projeto. Trabalha-se por prazer em algo que seja desafiador. As razões históricas e as conseqüências dessa mudança fazem parte da minuciosa pesquisa que Pedro Fernando Bendassolli, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), realizou e que consta no livro "Trabalho e Identidade em Tempos Sombrios". "No século XX o trabalho parece ter se tornado um problema", afirma. "Basta ver a pauta do debate político em torno do tema, que envolve: redução da carga de trabalho, distribuição de renda, políticas de inserção e integração social e desemprego em massa", diz. O que está por trás do sentimento relacionado à insatisfação é o clima de incerteza e de ambigüidade que hoje predomina nas organizações. A avaliação é de Bendassolli. Esse ambiente afeta sobretudo os profissionais com responsabilidade pela gestão da empresa, para quem sobra o desafio de lidar com um quadro de pressões conflitantes. "É necessário atrair e manter talentos, embora os vínculos se enfraqueçam. É preciso manter um senso de identidade organizacional e, ao mesmo tempo, promover mudanças. É necessário atuar globalmente e também ser sensível às necessidades locais. É preciso gerar valor para os acionistas e, ao mesmo tempo, atender às demandas sociais", descreve outro professor da FGV-SP, Thomaz Wood Jr., também autor de livro sobre o assunto: "Cuidado, Trabalho". Para ele, o trabalho está no centro dessas ambigüidades e contradições. A saída, afirma o pesquisador, é conhecer melhor como funcionam as organizações para ter uma vida corporativa mais saudável. Não é preciso voltar muito no tempo para identificar a raiz desse processo de mudanças. Há pouco mais de um década, os escritórios não eram muito diferentes daquilo que se via no passado. O aparelho de fax era o principal sinal de modernidade. A era da tecnologia da produtividade veio com as redes de computadores, blackberrys, notebooks, celulares e outros apetrechos que elevaram a capacidade de trabalho de cada funcionário. Menos pessoas passaram a fazer mais trabalho. A estabilidade na economia, por sua vez, obrigou as empresas a viverem mais do resultado operacional do que dos ganhos financeiros. "Esse é um marco de mudança nos processos de gestão de pessoas", diz o consultor e professor da Fundação Dom Cabral, Pedro Mandelli. "A empresa deixou de ser instituição e passou a ser um negócio. Passou a valer o relatório de custo, a necessidade de ser mais competitivo." Tal transformação exige uma organização mais ágil e enxuta. "O impacto na qualidade de vida nas empresas foi grande", aponta Mandelli. Como muitas das atividades que a empresa fazia não agregavam valor aos clientes, surgiu a terceirização e com ela o discurso da empregabilidade. "Passou-se a exigir um conjunto de competências e habilidades do funcionário, sem as quais ele se tornava dispensável para a organização", comenta o consultor. A empresa passou a correr atrás de quem é bom. Os profissionais começaram a ter medo e correr em busca de cursos de formação. Com tamanha pressão, o trabalho tanto pode ser fonte de sofrimento como de prazer. A professora Estelle Morin, fundadora do Criteos (Centro de Pesquisa em Trabalho, Saúde e Eficácia Profissional), de Montreal, identificou os principais fatores que podem fazer do trabalho algo muito gratificante: Continue reading 'O fim do simples emprego' março 07, 2006 Portugal foi um dos países penalizados nos primeiros sete anos de existéncia da moeda única europeia, enquanto outros, como a Irlanda, beneficiaram com o euro Um estudo do laboratório de economia Bruegel, em Bruxelas, feito pelos economistas Jean Pisani-Ferry e Alan Ahearne, divulgado domingo, explica que nos países em que as diferenças entre as taxas de inflação e de crescimento económico face aos outros Estados membros foram persistentes, depois da adesão Á União Económico e Monetária, houve variações significativas das taxas de câmbio real. A taxa de câmbio real é o valor da moeda descontada a inflação. Portugal, que manteve taxas de inflação muito altas entre 1999 e 2005 (de 2,3 a 4,4%), e uma quase constante divergéncia real de crescimento face aos parceiros, a taxa de câmbio real subiu 30%, retirando competitividade Á s suas exportações. A economia portuguesa não conseguiu compensar esta valorização do câmbio real com a melhoria da produtividade, como fez a Irlanda, pelo que tem sido penalizada nos mercados externos, concluem os economistas. A quota de mercado das exportações portuguesas tem vindo a cair ao longo dos últimos anos. A perspectiva de entrada no euro permitiu a Portugal experimentar um período de forte crescimento económico, sustentado sobretudo pelo consumo, beneficiando da descida sucessiva das taxas de juro e do aumento do crédito. No entanto, os «sérios erros de política» que foram cometidos, dizem os economistas que fizeram o estudo, acabaram por penalizar a economia. Refere o documento que Portugal desleixou-se na condução da política orçamental, com o Estado a continuar a alargar o ritmo de crescimento das despesas, o que agravou a dívida externa e dificultou o crescimento da actividade económica. A política orçamental expansionista adoptada foi exactamente o contrário do que devia ter sido feito, consideram no estudo. Para os dois economistas, a lição dos primeiros sete anos do euro é a de que a vigilância sobre as condições do pacto orçamental que une países da União Europeia (Pacto de Estabilidade e Crescimento) é excessiva, pecando por falta de atenção Á política económica dos Estados membros. |
© Instituto de Empresa Business School 2006 | |