março 07, 2006   

Euro penalizou Portugal


Newton Campos

Portugal foi um dos países penalizados nos primeiros sete anos de existéncia da moeda única europeia, enquanto outros, como a Irlanda, beneficiaram com o euro

Um estudo do laboratório de economia Bruegel, em Bruxelas, feito pelos economistas Jean Pisani-Ferry e Alan Ahearne, divulgado domingo, explica que nos países em que as diferenças entre as taxas de inflação e de crescimento económico face aos outros Estados membros foram persistentes, depois da adesão Á  União Económico e Monetária, houve variações significativas das taxas de câmbio real. A taxa de câmbio real é o valor da moeda descontada a inflação.

Portugal, que manteve taxas de inflação muito altas entre 1999 e 2005 (de 2,3 a 4,4%), e uma quase constante divergéncia real de crescimento face aos parceiros, a taxa de câmbio real subiu 30%, retirando competitividade Á s suas exportações.

A economia portuguesa não conseguiu compensar esta valorização do câmbio real com a melhoria da produtividade, como fez a Irlanda, pelo que tem sido penalizada nos mercados externos, concluem os economistas.

A quota de mercado das exportações portuguesas tem vindo a cair ao longo dos últimos anos.

A perspectiva de entrada no euro permitiu a Portugal experimentar um período de forte crescimento económico, sustentado sobretudo pelo consumo, beneficiando da descida sucessiva das taxas de juro e do aumento do crédito.

No entanto, os «sérios erros de política» que foram cometidos, dizem os economistas que fizeram o estudo, acabaram por penalizar a economia. Refere o documento que Portugal desleixou-se na condução da política orçamental, com o Estado a continuar a alargar o ritmo de crescimento das despesas, o que agravou a dívida externa e dificultou o crescimento da actividade económica.

A política orçamental expansionista adoptada foi exactamente o contrário do que devia ter sido feito, consideram no estudo.

Para os dois economistas, a lição dos primeiros sete anos do euro é a de que a vigilância sobre as condições do pacto orçamental que une países da União Europeia (Pacto de Estabilidade e Crescimento) é excessiva, pecando por falta de atenção Á  política económica dos Estados membros.


Add to del.icio.us Send to Digg Enviar a Menéame Who is linking here?

Posted on 7 março 2006 in Economia

Comments

Post a comment





Remember me?




Please type in the numbers in the image above.


© Instituto de Empresa Business School 2006